Lusíada. Direito, n.º 27/28 · 2022 · pp. 125–138
Estrutura e contexto atual das relações jurídico-fiscais
José Avilez OgandoResumo
Este artigo oferece uma perspetiva de drone sobre a arquitetura das relações jurídico-fiscais, decompondo a sua estrutura para além da visão tradicional da mera obrigação de imposto. A investigação identifica um núcleo material denso, composto pelos direitos e deveres principais, mas estende a sua análise a uma periferia formal vasta, onde se cruzam múltiplas ordens de direitos e deveres acessórios que definem o quotidiano da interação entre o Estado e os contribuintes.
Ao mapear estas camadas, o texto permite uma compreensão mais nítida de como a posição jurídica do particular é moldada por uma teia de normas que exige uma crescentemente sofisticada gestão do risco fiscal.
O texto centra-se, de forma crítica, na mutação de paradigma que o Direito Fiscal atravessa, impulsionada por avanços tecnológicos sem precedentes e por uma sofisticação técnica que testa os limites da segurança jurídica. Discute o papel da reserva de lei parlamentar não apenas como uma regra de competência, mas como uma garantia de clareza e transparência que deve proteger a confiança dos cidadãos perante o poder tributário. E adverte para os perigos de uma legislação hipertrofiada e hermética, defendendo que a justiça fiscal é indissociável da compreensibilidade das normas e do respeito pelo fórum democrático.
Ao cruzar a dogmática clássica com os desafios da modernidade, este contributo dirige-se àqueles que procuram decifrar a dinâmica atual do sistema fiscal e a sua evolução num contexto de crescente complexidade institucional.
Palavras-chave: relação jurídico-tributária · autoliquidação · cumprimento cooperativo · direitos procedimentais · administração tributária